Após aplicar 500 mil doses, governo suspende vacina contra a dengue do Instituto Butantan. (Há 42 casos de reações adversas graves e duas mortes em investigação. Minas teve município-piloto - saiba mais. Vacinados dos últimos 21 dias precisam ficar muito atentos)
Segunda 08/06/26 - 15h55O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira 8 de junho a suspensão temporária da vacinação com o imunizante contra a dengue desenvolvido pelo Instituto Butantan .
A decisão foi tomada após a identificação de 42 episódios de reações adversas graves registrados pelo sistema de vigilância pós-vacinação .
De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, aproximadamente 500 mil doses já haviam sido aplicadas, principalmente em profissionais da atenção primária e em projetos-piloto nos municípios de Botucatu (SP), Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e na região do Araguaia, no Tocantins .
Entre os 42 episódios, três casos são considerados graves, incluindo dois óbitos que seguem sob investigação.
O ministério afirma que ainda não há dados suficientes para comprovar relação causal direta entre a vacina e as mortes, mas os eventos representam um sinal de alerta que justifica a interrupção preventiva .
Os dois óbitos investigados são de uma mulher de 48 anos, que morreu 19 dias após a vacinação com quadro de dengue grave e comprometimento neurológico, e um homem de 58 anos, que morreu cinco dias após receber a dose, evoluindo rapidamente para dengue grave com choque refratário .
O ministro afirmou que algumas reações foram inesperadas, pois não haviam sido observadas nos estudos clínicos de fases 1, 2 e 3, que envolveram cerca de 11 mil voluntários .
Pessoas vacinadas nos últimos 21 dias devem observar sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos e sonolência.
Em caso de qualquer sinal de alarme, a orientação é procurar uma unidade de saúde .
O ministério reforçou que a vacina já aplicada continua protegendo contra a dengue e que as doses não serão descartadas.
A suspensão é temporária até a conclusão das investigações .
O Ministério da Saúde recomenda o acompanhamento médico para pessoas vacinadas nos últimos 21 dias.
Pede atenção a sinais como febre, sangramentos e dor abdominal intensa.
A maioria das 500 mil doses foi aplicada em profissionais de saúde, disse o Ministério da Saúde.
***
15h53, segunda-feira, da Agencia Brasil
Ministério da Saúde suspende vacina contra a dengue do Butantan
Foram registrados dois óbitos de pessoas que receberam o imunizante
ANDREIA VERDÉLIO – REPÓRTER DA AGÊNCIA BRASIl
O Ministério da Saúde anunciou, nesta segunda-feira (8), a suspensão temporária da imunização contra a dengue no país com a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan.
A pasta informou que 42 pessoas apresentaram sintomas mais severos após a vacinação, sendo que três precisaram de internação e dois desses morreram.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que não é possível concluir que os eventos adversos foram causados pela vacina, mas representam um sinal de alerta e serão investigados por um comitê de especialistas.
“Essa descontinuidade tem um objetivo que é a ação de precaução, para que Ministério da Saúde, Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] e Butantã aprofundem a investigação nos 42 casos, que são episódios de reação adversas da vacina, para buscar fatores de risco nessas pessoas, fazer uma espécie de estudo de caso-controle”, disse em coletiva de imprensa.
“O Ministério da Saúde tem total confiança na capacidade institucional do Butantã”, destacou Padilha ao enfatizar a importância da vacinação para a redução e eliminação de doenças no país.
A suspensão vale apenas para a vacina produzinda pelo Butantan, e não inclui o imunizante Qdenga, produzido pelo laboratório Takeda e aplicado no Sistema Único de Saúde.
Até o dia 30 de maio, pouco mais de 500 mil doses da vacina do Butantã foram aplicadas em todo o país. O imunizante foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) em janeiro deste ano. Na ocasião, o Ministério da Saúde adotou a estratégia de vacinação para avaliar o impacto do imunizante na dinâmica populacional da dengue.
Para isso, passou a vacinar a população em três municípios-piloto: Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). Nessas localidades, o público-alvo é composto por adolescentes e adultos de 15 a 59 anos, que é a indicação aprovada para o Programa Nacional de Imunizações (PNI). Em março, também foi promovida uma ação de vacinação na região de Araguaína (TO).
Em fevereiro, o SUS passou a vacinar contra a dengue os profissionais de saúde da atenção primária, com a previsão de imunizar 1,2 milhão de trabalhadores da linha de frente, de unidades básicas de saúde, por exemplo.
O Ministério da Saúde destaca que a decisão de descontinuar a estratégica de vacinação não invalida a eficácia da vacina. E as pessoas que foram vacinadas ainda usufruem do benefício que a vacina oferece, que é a proteção contra a dengue.
A decisão recomendada pelo sistema de farmacovigilância ganha tempo para fazer estudos adicionais para encontrar eventuais fatores de risco.


