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Mensagem: Tragédia na Venezuela Manoel Hygino Os venezuelanos estão agora presentes em muitos países do Hemisfério Sul. Nas últimas décadas, acentuou-se a saída da terra natal, mas o recente cataclismo, resultante de crises terríveis, chamou a atenção para essa migração. Em Belo Horizonte, eles habitam a periferia, lutando pela sobrevivência em atividades humildes que lhes garantem o sustento. Passei por Caracas e tive ensejo de sentir pessoalmente a simpatia com que recebiam os que vinham de longe e estabelecer contatos rápidos. E são simples nas conversas e na convivência, embora estabelecidos no país mais rico em reservas de petróleo do planeta. Presentemente, os olhos do mundo os identifica como uma gente sofrida, removendo restos de bens de toda natureza, resgatando seus mortos, contando com ajuda de numerosos outros países e regiões, além da ONU. Os venezuelanos não souberam aproveitar a riqueza natural que abrigou os maus políticos, os donos do poder aproveitam a ingenuidade de inúmeros e da supremacia dos grupos militares e políticos, e chegaram ao que são hoje. A catástrofe de junho é um exemplo para outros povos que buscam assumir a gestão dos negócios públicos sem sentimento de pátria. Tudo começou antes de Chávez que enganou criminosamente o povo de que descende e em que nasceu. Quem paga pelo pecado e pelo crime é a nação. A tragédia atingiu seu ponto culminante com Hugo Chávez e a partir dele. Chávez permaneceu anos no poder, gerando descontentamento entre investidores e criadores de novos negócios. O Conselho Empresarial da Venezuela estima na casa de milhares o número de empresas fechadas desde 1999, porque seus dirigentes foram considerados antagonistas das autoridades. Os venezuelanos passaram a sofrer mais violência, saúde pior, com as instituições democráticas em frangalhos. A fragilidade da economia foi disfarçada pela exportação de um único produto - petróleo. As taxas de homicídio mais que triplicaram. Segundo os especialistas, o governo fez pouco para inserir os mais pobres no mercado de trabalho. Chávez foi a Cuba tratar de câncer. Voltou à pátria para cerrar os olhos e ser sepultado. Os dirigentes empresariais não melhoraram a situação. Maduro entrou em cena, mas está preso nos EUA. E houve, há dias, a rebelião da natureza. Resta lamentar e chorar pelos mortos e feridos.
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